Anarcocapitalismo

Sabe de onde veio o termo "amor platônico"? Sim, do filósofo grego Platão.... Mas engana-se o leitor se pensa que ele era um cara muito apaixonado por alguém ao qual nunca lhe correspondeu uma gota de sentimento. Não, o caso é que entre várias brilhantes "filosofadas" ele propôs uma coisa chamada Campo Das Idéias, que a título de simplificação tomaremos seu significado como exatamente aquilo que o nome propõe. Agora, caro amigo leitor, lhe pergunto o que faz uma pessoa à mais de 2300 anos após, confundir realidade com utopias.



Não estou falando do fantástico mundo de Bob, estou falando desse pessoal que se "intitulam" anarcocapitalistas. Caso você não saiba o que se trata eis um link com uma descrição completa https://pt.wikipedia.org/wiki/Anarcocapitalismo, mas caso esteja com preguiça, resumindo é uma forma extrema de encarar o mundo como propriedades privadas e cada pessoa vive através de meios de troca entre tais propriedades, sem um Estado. No fundo, nós utilizamos um pouco deste ideal no nosso dia-a-dia, como por exemplo ao importar um produto na internet mais barato para fugir de possíveis taxas de impostos exorbitantes.

Na minha opinião, os grandes problemas desse pensamento são os seguintes:

*Encarar tudo como bens de troca. A vida humana é um "bem de troca"? Um órgão? Um animal exótico? Uma obra de arte única? Consegue enxergar o problema de se monetizar tudo? Quem possui mais dinheiro possuirá benefícios imorais neste sistema, pois abrirá margem a pessoas por exemplo venderem um bebê proveniente de uma gravidez indesejada, sem nenhum controle, pois todo mundo seria seu próprio juiz, e aí entra o segundo grande problema:

*A falta de Estado. O mundo ideal seria não precisarmos de escolhidos para nos defenderem, regular e até mesmo nos extorquir com impostos, mas essa ideia parte do pressuposto que nós humanos somos bons e respeitamos o espaço e propriedade do próximo. Fato este que com toda a certeza do mundo não procede. Precisamos sim de um estado que julgue casos de uma forma "imparcial", onde alguém comum pode processar uma grande multinacional por exemplo, independente da quantidade de recursos para advogados. Em um mundo anarcocapitalista grandes corporações ditariam todos os caminhos da sociedade, principalmente através de propagandas(o que já acontece muuuuuito, porém temos justamente o estado para contrapor os abusos de grandes companhias, como por exemplo a indústria tabagista, que vendia uma propaganda de liberdade e felicidade em suas propagandas mas graças às leis estatais a verdade foi explicitada e o consumo caiu bastante nos últimos anos).

Ruim com Estado, pior sem. Imagina você chegando em um tribunal anarcocapitalista para reclamar de serviços ruins da sua companhia de telefone e descobre que tal instituição pertence ao grupo embratel :> Boa sorte com isto...









1 comentários:

Então vamos parar pra pensar Douglas, você disse sobre vender o bebê certo? estando em uma sociedade anarcocapitalista a primeira coisa que você poderia fazer é uma ONG que seria contra esse tipo de coisa e boicotar quem faz tal ato, expor, trazer má fama pra que as pessoas não façam mais trocas com esse ser; a segunda coisa que pode fazer é lembrar que a PNA diz que não se pode ferir outro individuo, o bebê depois de nascido também é um individuo e vender ele seria uma agressão.
Quanto a parte do tribunal e a operadora, apesar de realmente precisar as vezes eu te pergunto uma coisa: em uma sociedade que as coisas vão serem tão fáceis, não acha que vai ter mais de um tribunal de mais de um grupo de empresas? não acha que vai ter dezenas de concorrentes do grupo embratel e que a cada escorregada é uma perda de milhões em dinheiro? não acha que todo mundo vai fazer o melhor serviço possível?

Pare de pensar muito com cabeça de "precisamos de estado pra fazer algo" e lembre-se que pra cada problema que temos hoje, aparece muita gente querendo resolver ele e quem impede eles de resolver é justamente o estado.


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